MUDAR NA MUDANÇA

Podemos mudar de apartamento, casa, bairro, cidade, região, país, … Talvez, … de planeta…

Impulsionados por insatisfações, saturamentos, esgotamentos, tragédias, expulsões, aversões ou oportunidades.

Podemos deixar o indesejado, algo do que fomos, apelidos, relações, humilhações, perseguições, limitações espaciais ou emocionais.

Em busca de horizontes amplos, harmonia interna, familiar, social ou comunitária: melhores condições de vida.

Podemos mudar de residência e aproveitar para mudar de vida.

Ou, ingenuamente, carregar conosco idiossincrasias, ilusões, manias, comportamentos, …

Assumindo os mesmos papeis, repetindo hábitos prejudiciais, reconstruindo o desagradável…

Ou podemos aproveitar a mudança para mudar a nós mesmos, abandonando ‘verdades’, replantando esperanças e concretizando sonhos.

Preservação de traumas ou diluição do passado?

Cada um de nós, ao recordar fatos passados, olha, vê e reage de modo diferente. Podem ser olhares bem diversos (de trágicos a divertidos): olhar ascendente (do passado para o futuro), olhar descendente (o passado visto no momento presente), olhar horizontal (analisar e comparar os viventes durante o passado, durante o presente e imaginar como viverão no futuro), olhar subjetivo (do próprio vivente) ou olhar objetivo (visão de outro).

Por isso, diferentes aspectos podem ser vistos no mesmo fato. Depende de quem avalia e dos critérios de avaliação. O mesmo evento do passado pode ser visto e classificado como natural, normal, inusitado, estúpido, saudoso, afetuoso, aversivo, alegre, triste, ditoso ou traumático. Depende do ponto de vista de quem viveu o evento, de quem presenciou, de quem participou ou de quem ouve o relato.

As boas lembranças são rememoradas com prazer e com o impossível desejo de reviver aqueles momentos. Dos lutos, ressuscitam tristezas. Os traumas podem voltar e se instalarem maiores, se crescerem com o tempo.

Muitos os traumas, inúmeras as teorias e variadas as terapias. Alguns profissionais da cura indicam tratamento medicamentoso, outros indicam a hipnose, a regressão mental e a meditação. Cada qual com suas fés e com suas promessas. Assim, podemos acabar curados, intoxicados ou neuróticos. Podemos nos livrar dos pesadelos, nos viciar em drogas, nos perder nos labirintos das anamneses ou aprofundar a piedade de nós mesmos (depressão). Maior risco se, no presente, estivermos reinventando, verbalmente, o nosso passado e/ou o passado dos outros.

Além disso, podemos caminhar ao lado do analisado, confirmando suas percepções e seus traumas, ou nos pôr diante do caminhante, como um pequeno espelho que mostra uma fresta do passado sobre o largo campo do presente.

Na Nossa Escola, projeto pedagógico aqui ao lado em 2007, as pessoas falavam muito do tempo que passaram fome, que precisavam “comer bolinhos de terra”. Eu poderia me esforçar para sentir como eles se sentiram ao comer bolinhos de terra (empatia) e reforçar, nas mentes deles, os dramas que viveram. Preferi ajudá-los a viver intensamente esses lutos por uns momentos (resgatando e, logo, consumindo o passado), para, a seguir, desconstruir as lembranças ruins com boa dose de racionalidade; racionalidade que faltou aos nossos antepassados e que pode nos ajudar a evitar outras fomes e outras tragédias.

Mais que filhos da ontogenia (formação biológica e psicológica do indivíduo humano), os monstros pretéritos que nos perseguem são produzidos pela cultura, seja ela familiar, comunitária, social ou étnica. Pretérito, do Latim, praeter(tus): deixado de lado, omitido, passado, … No caso, monstros que podemos deixar de lado, omitir. Ou não. A maioria abandona o passado e vive o presente. Consciente ou inconsciente. Porém, acidentes, assaltos, roubos, tragédias, suicídios, estupros e traições podem perdurar no presente e invadir o futuro.

Para as pessoas que padecem com sombras do passado, o sofrimento psicológico é real, desgastante. Pode ser até letal. Exemplos: o assassinato dos pais pode provocar a vingança dos filhos; um suicídio pode levar a novos suicídios. Porém, podemos nos esforçar para ajudá-las a analisar a cultura em que estavam imersos, sob a luz de tendências atuais de ortotanásia e do direito que as pessoas têm viver do seu jeito ou de desistir da vida. Esse exercício psicológico pode diluir o sofrimento que foi inevitável no passado, mas que pode ser modificado a partir do presente.

Seria ilusório e pretencioso comparar traumas, alegrias, euforias e sofrimentos alheios. Muito mais ilusório e pretencioso comparar esses sentimentos. entre si (pessoas ou sentimentos) ou comparar nossas experiências com as experiências dos outros. Quem foi mais feliz? Quem sofreu mais? Os que perderam os pais quando criança? Os que nem conheceram o pai? Os que foram sobrecarregados com responsabilidades? Os que sofreram abusos? Os pobres? Difícil contabilizar… Depende de cada mente, de cada equação mental.

Ou seja, melhor ajudar a diluir as reminiscências do que favorecer a ressonância emocional. A diluição de pensamentos negativos proporciona mais benefícios que cultivar a dor.

COLONIALISMO DIDÁTICO

Aproveito o título da Deutsche Welle¹, a entrevista de Michael J. Sandel² para Pablo Guimón e minhas conversas com Cecília Kotzias e com Maria Elisa Ghisi para eu expor ideias sobre a função das escolas na reprodução das classes sociais. Agradeço as contribuições.

***

As pessoas podem aprender sozinhas, por incentivo e orientação da família, na parceria com outros aprendizes ou recebendo as informações científicas ministradas por professores em instituições de ensino. Podem aprender, espontaneamente, por curiosidade e podem, intencionalmente, pesquisar, experimentar e/ou tentar aprender por necessidade, para resolver um problema. Podem ser obrigadas a aprender por pressão dos familiares ou por determinação legal. Podem aprender práticas e desenvolver habilidades; podem descobrir e inventar. Podem aprender teorias proveitosas ou … inúteis.

Aprender faz parte do estar-no-mundo, do estar vivo. Todos os seres vivos aprendem. O ser humano aprende durante toda a sua vida, mesmo que inexistam governos, ideologias e instituições escolares.  O aprender é inerente à natureza humana.

Sendo natural (ou, exatamente, por ser natural), o aprender pode ser usado para influenciar pessoas e/ou exercer dominação social. Seja nas famílias, nas comunidades ou nas nações, os indivíduos dominantes (ou os que pretendem dominar) utilizam o aprender para disciplinar os submissos, para submetê-los ao seu controle. A intensidade e o volume de controle exercidos determinam o grau de liderança e o grau de autoridade.

Podemos considerar que a aprendizagem conduzida receba o nome de ENSINO (transmissão de princípios que regulam a conduta humana e a vida em sociedade; educação [Houaiss]).

Ensino familiar (pelos pais e avós), ensino tribal, ensino empresarial e ensino religioso podem ser exemplos de ensino informal, tácito, ‘privado’, restrito, facultativo. Cada clã, comunidade ou sociedade exerce o direito de promover e de aperfeiçoar sua cultura (conjunto de padrões de comportamento, crenças, conhecimentos, costumes, … que distinguem um grupo social [Houaiss]).

Por outro lado, o ensino oficial obrigatório é ferramenta governamental para ‘uniformizar’ a população, com o objetivo de controlar as índoles e de orientar a formação técnica, moral e cívica das futuras gerações. Educar, disciplinar, treinar, submeter, premiar e/ou subjugar para transformar crianças livres e alegres em cidadãos obedientes, sérios e produtivos.

O ensino informal e o ensino oficial são fundamentais para a convivência harmônica das pessoas em busca de melhores condições de vida. Nenhuma delas ocorre isoladamente; uma não exclui a outra; sempre se espera que se complementem. E, se houver sincronia entre essas duas ações educativas e se todas as crianças forem educadas em igualdade de condições, cada geração gozará de avanços técnicos e sociais.

No entanto, sempre houve, há e haverá luta pelo poder. E, quanto maior o conjunto de indivíduos sob o mesmo comando, maior a manipulação dos sistemas de ensino, seja no direcionamento estratégico, na exploração do trabalho, na coação por ameaças, na coerção de movimentos sociais ou na extorsão de contribuições e de impostos.

Ainda dentro da liberdade de analisar, podemos comparar a educação informal a uma oficina de artesanato em que o mestre-artesão permite que os discípulos opinem, inventem e modifiquem os processos e os produtos. Em oposição ao ensino ‘industrial’ que esmerilha cada criança para produzir ‘cidadãos em série’, meras peças da engrenagem política ou da lógica capitalista.

Em uma ‘escola artesanal’, a imaginação e os sentimentos das crianças podem criar obras inéditas, imprevisíveis, raras, até. Porém, esses artesões podem fugir do controle militar e/ou policial dos governantes e podem ‘contaminar’ o mercado com produtos irregulares, incomuns ou extraordinários, até.

Por outro lado, a produção em série, padronizada e com o descarte de ‘peças anormais’, facilita a ‘comercialização’ de ideias e de mercadorias. A palavra ‘padrão’ vem de ‘pedrão’, medida rígida estabelecida como modelo de medida. Na Idade Média, os padrões de peso e de comprimento eram pedras ‘oficiais’ que serviam de referência para aferir balanças e instrumentos de medição. Como se as pedras fossem imutáveis e, por isso, garantissem a regularidade das medidas.

A indústria alimentícia deve respeitar padrões em todos os aspectos, para fornecer alimentos idênticos. Com mesmo peso, mesmo gosto, mesma cor, mesmas substâncias, …   Ou seja, comida sempre igual, repetida, sabor invariável, sem surpresas.

Por outro lado, os cozinheiros amadores, inconstantes ou indisciplinados, desrespeitam as medidas, manipulam e/ou substituem os ingredientes, alteram o ‘modo de fazer’ e adulteram as receitas. Cada bolo será inédito e surpreendente. Assim como os demais assados, cozidos e crus que mastigamos e engolimos.

Paradoxalmente, queremos que nenhuma ‘iguaria’ seja ‘igual’. Por que haveríamos de querer que todos os adultos sejam semelhantes, uniformes, insossos, padronizados?

Só existe Ciência nas clausuras do ensino oficial?

Com as abelhas-sem-ferrão e na culinária, nós praticamos e desenvolvemos “conhecimento científico”. O método científico pode ser usado por qualquer pessoa; o cientista não é o dono do método. E o ‘método científico’ não é de ‘uso privativo do cientista’.  O “conhecimento científico” não é privilégio para diplomados por ‘universidades’. “A realidade está grávida de seu contrário.” A “Universidade” não é universal. Ao contrário, é elitista, privilégio de poucos. Tampouco, contém o saber universal. “Didaticamente”, seleciona as informações que melhor escondem o enigma do poder. Polinômios, por exemplo. Ou a lista de presidentes de uma república. Informações sem serventia… que, entretanto, mantêm as mentes ocupadas e alienadas.

Ah! O objetivo é a socialização das crianças. Será que o grau e a qualidade da socialização dependem diretamente do tamanho do rebanho? Digo, do tamanho das turmas e/ou da escola?

A socialização da criança ocorre no contato com os educadores e educandos.  Estejam eles ligados pela Internet ou presos em salas de aula. As crianças (os jovens, os adultos e todos os seres vivos) aprendem envoltas em uma determinada realidade. Se as escolas forem depósitos de crianças, as crianças aprenderão a ser depósitos dos códigos de quem os deposita: autoridades, pedagogos ou pais. As crianças serão depositárias da cultura depositada.

Estudar numa ‘escola grande’ não garante um grande número de amigos. Viajar no ônibus escolar e participar da baderna coletiva parece não contribuir para a convivência cooperativa e harmônica dos futuros adultos. Ao contrário, a competição, o bando, o bullying, o individualismo, a solidão, a timidez, a vergonha, as críticas, a gozação, … a necessidade de acompanhar o rebanho arrasa (torna rasas, nivela) as individualidades. As multidões nos anulam. Quanto maior a multidão, mais oprimido me sinto.

Os limitados de contatos com poucos colegas e com os orientadores podem suprir nossas necessidades de afeto, de estímulo e de segurança bem mais que as intensas e ilimitadas gritarias das manadas escolares e dos discursos das complexas equipes pedagógicas dos grandes educandários. Quanto maior o exército, mais forte seu comandante, mais insignificante a importância do soldado.

Penso que a escola sonhada pela Cecília seja espaço propício ao desenvolvimento de relações limitadas, porém, reais, verdadeiras, respeitosas, interessadas, cooperativas e suficientes para construirmos “uma sociedade mais justa”.

Desde tempos imemoriais, as elites detêm os segredos intelectuais: feiticeiros, sacerdotes, … doutores, juízes, … A casta dominante recebe a ‘senha’ e a autorização (o diploma), mediante o ‘sacrifício’ de – muitas vezes – passar aulas ouvindo o ‘professor’ ler, durante um semestre escolar, sua tese de mestrado ou de doutorado.

Onde se concentram os títulos de doutorado? Nos hospitais (quarteis das doenças)? Não. No Fórum da Comarca (quartel das arbitrariedades)? Não. Se concentram nas ‘universidades’ (quarteis das diplomações acadêmicas). Cartórios da Ciência.

O título da terra, o título do conhecimento científico; a escritura pública, o diploma. Títulos oficiais, não testes de proficiência. Quem tem amplo conhecimento de mecânica… se prestar exames de proficiência, será aprovado… sem ganhar título de Engenheiro… que gera status e dinheiro. Muitos são eficientes nas funções que exercem. Entre dois coordenadores de equipe com equivalente desempenho, o que tiver título de capacidade será melhor remunerado.

Só podem filosofar os que frequentaram o Curso de Filosofia e receberam o diploma? Um biólogo, como Mia Couto, ou quem aprendeu escrever por conta própria podem escrever livros? Se eu tivesse o Curso de Letras com diploma conseguiria escrever esse texto? Os alunos aprendem melhor com quem tem Curso de Doutorado?

Terreno de posse vale menos. Terreno com escritura pública registrada vale muito mais. A utilidade do espaço permanece a mesma… Conhecimento científico COM DIPLOMA, título de sabedoria, rende mais… Todo conhecimento é muito útil.

As hortas comunitárias podem ser exemplos de campos experimentais com sucesso… por usarem conhecimento científico… não titulado… Quem certifica a Ciência do horticultor? Do caminhoneiro, do cozinheiro, do mecânico, do cabeleireiro, … A trupe do Circo Torricceli é genial e … não certificada… Não receberam diplomas.

Somos colônia norte-americana e podemos ser agentes, instrumentos de colonização.  Temos que decidir entre seguir Donald Trump ou ouvir José Pacheco. Perigoso estar com um pé em cada continente. Mais que isso: com um pé em cada conteúdo ou com um neurônio em cada ideologia. E sobre o abismo social. Trump recolonizando e Pacheco tentando descolonizar.

As leituras de Marguerite Duras e de Mia Couto, além de surpresas literárias, revelam as tragédias do colonialismo francês na Cochinchina (Vietnã) e do colonialismo português em Moçambique. Leio as verdades históricas e não os estilos contundentes. Os dois “escrevem poesia”; eu leio o sofrimento humano causado pelo poder humano: as elites cultas explorando os escravos da ‘ignorância’… do ponto de vista dos colonizadores. Os vencedores que pouparam a vida dos derrotados se tornaram – moralmente – donos da vida deles.

Enfim, sonho que a pandemia do Covid-19 condene a escola tradicional ao passado e que consigamos evitar a reprodução comportamental da sociedade de consumo através da “linha de produção” dita “científica”, da formatação em série de pessoas ‘produtivas’, competitivas e vencedoras. A escola aceita e defendida pelos políticos são verdadeiras ‘fábricas de papel’, que fabricam e acumulam livros didáticos, monografias, teorias e diplomas (documento oficial que concede um direito, um cargo, um privilégio [Houaiss]), verdadeiras cargas mortas que carregamos para obter sucesso. Espero que a pandemia do Covid-19 acabe com esse modelo industrial. QUE AS CRIANÇAS SE EDUQUEM SEM SEREM EDUCADAS.

Enfim, sou um louco com uma lanterna e com uma lupa… Um antropólogo de mim mesmo… procurando uma sociedade igualitária, sem sacerdotes e sem analfabetos.

1 – Deutsche Welle, em 11 out 2020

https://www.terra.com.br/noticias/colonialismo-nos-livros-didaticos-a-historia-dos-vencedores,22050d5b0002c3b6995db2401949cff4vv7r8jvl.html

2 – Jornalista Pablo Guimón, do jornal El País, entrevista Michael J. Sandel

Brasil.elpais.com, em 12 de setembro de 2020

<p style="line-height:0.4" value="<amp-fit-text layout="fixed-height" min-font-size="6" max-font-size="14" height="80">Brasil.elpais.com, em 12 de setembro de 2020Brasil.elpais.com, em 12 de setembro de 2020

ADMIRAÇÃO

Eu admiro o voo dos pássaros. Posso passar horas, no templo da floresta, con-templando os pássaros em suas ousadias e em suas habilidades voláteis, que representam a real liberdade. Admiro, apenas… não quero estar com eles no ar, não pretendo imitar.

Admiro os heróis; fujo de heroísmos. Prefiro ser normal, passageiro, substituível e livre de idolatrias. Jamais eterno. Meu corpo e minha mente são finitos. Talvez, minhas ideias se propaguem e sobrevivam ao meu sopro vital…

Admiro o circo que está (des)armado aqui em frente. Admiro apenas. Por enquanto, sou plateia e auditoria. Logo, o circo seguirá seu espetáculo e eu permanecerei silvestre, parte da Natureza, convivendo com os bichos, plantando sementes.

Admiro a Primavera. Todavia, o encanto dela está – exatamente – na impermanência, na fugidade das estações e dos ciclos cósmicos. Se, o tempo todo, fosse primavera, já estaríamos cansados do eterno florir. A beleza das flores começa na esperança, no saber esperar, que inclui semear, plantar, regar, cuidar e imaginar. E as esperanças vegetam durante os invernos.

Procuro saber o que admiro; prefiro ter consciência do que vivo, do que quero continuar vendo de longe, do que quero viver integralmente no dia-a-dia. A beleza e a funcionalidade da vida estão na diversidade, na compreensão dos ciclos… semelhantes, porém, sempre modificados, diferentes em detalhes que fogem ao nosso entendimento. Depois de séculos, identificamos mudanças significativas.

Se chovesse o tempo todo ou se nunca chovesse, as plantas seriam extintas. A monotonia mata. A monocultura se autodestrói. Inclusive, a monocultura literária.

Viver para sempre seria a ‘morte de novas vidas’. A soberba humana pode pretender ser eterna; há quem acredite que sua estupidez seja insubstituível.

O inverno e o morrer são tão importantes quanto a primavera e o nascimento. A ressurreição, então, seria a arrogância de renascer em detrimento de outras vidas, de se intrometer nas gerações futuras. O Planeta Terra já está superlotado de homo-deuses; para sobreviver, precisa que ocorram muitas mortes definitivas, para dar espaço a novas existências. Quero viver plenamente o meu agora com o máximo senso de realidade: essa consciência de que sou único, limitado e efêmero.

DESTINOS

O primeiro passo (e todos os outros…)

só terão sentido e direção

se soubermos onde queremos chegar.

*

Para iniciar,

precisamos decidir nosso destino:

para onde queremos ir.

*

Podemos planejar, estabelecer metas,

iniciar a construção, rever o planejado,

avaliar as escolhas e as metas,

retomar ou abandonar utopias,

mudar os destinos, reinventar caminhos,

comemorar as etapas concretizadas

ou voltar ao primeiro passo.

*

Passo a passo, construímos ‘o destino’.

*

O destino passa a existir

quando estabelecemos nossas metas;

começa a se realizar com o primeiro passo

na direção das nossas escolhas.

*

Sempre aparecerão novos rumos a seguir,

opções à espera de nossas decisões.

*

Para quem o destino está traçado

por ‘entidades’, seres divinos,

a espera se prolonga até depois da morte;

*

para quem depende de guias espirituais,

a submissão conduzirá a esperança…

por labirintos intermináveis;

*

para quem espera apoio familiar e heranças,

a beira-do-caminho será, eternamente,

o ponto do ônibus que jamais passará.

*

Pouco importa onde estejamos:

o seguinte será sempre um primeiro passo

esperando pelas nossas decisões.

*

Para quem se considera satisfeito,

desnecessitado de desafios,

a vida perde o sentido e a direção.

*

Vamos iniciar a caminhada de hoje?

PEDIDA

Ao finalizar o curso de pós-graduação em psicopedagogia clínica, promovemos uma confraternização em que cada um deveria falar ‘algumas palavras como despedida’. Aproveitei para refletir sobre o significado da palavra despedida. DES PEDIR: desfazer o pedido.

“O que queremos dizer ao pronunciar o vocábulo ‘despedida’? Que desejamos desfazer nossos pedidos? Que desistimos das perguntas, das respostas e dos auxílios pendentes? Que abdicamos dos nossos interesses?

Realmente, após a partida de uma pessoa, quando dela nos separamos definitivamente, a ela, não mais pedimos favores, nem opiniões. É isso mesmo que nós queremos fazer a partir de hoje? Não mais procurar os colegas e os professores para pedir opiniões e ajudas? Se assim procedermos, será porque não aprendemos a lição psicopedagógica maior.

E, durante o curso, o que perguntamos ou pedimos aos colegas? E o que oferecemos? Ao estudar psicopedagogia, estávamos procurando compreender as dificuldades de aprender… só dos outros?

Como lidamos com as nossas dificuldades de aprender? O que aprendemos? Poderíamos fazer um inventário das nossas aprendizagens nesse grupo? O que aprendemos sozinhos? O que aprendemos com as pessoas que concordaram com nossas ideias? O que aprendemos com as pessoas que se opuseram às nossas verdades?

Penso que aprendemos mais com os que tiveram a coragem e a amizade de quebrar nossos espelhos… espelhos viciados e coniventes, que refletem apenas a parte da realidade que aceitamos. Espelhos que refletem nossas máscaras.

Se, nesse curso, fomos ajudados a nos ver um pouco mais parecidos com o que somos, agora, poderemos trabalhar as nossas próprias dificuldades de aprender; de saber: QUEM SOU EU?

E, psicopedagogicamente, sabemos que a aprendizagem tem seu tempo de gestação. Não de uma gestação biológica; gestação de ideias, tempo para aprender, período de uma gestação cultural, intercalada de períodos de latência, de vazios e de retrocessos. Sabemos que a aprendizagem não é automática e instantânea. Que podemos chegar ao conhecimento em um dia, em uma semana, em um mês, em um ano, no fim da vida … ou nunca. Que cada um tem seu ritmo e seu prazo. Talvez, no futuro, nos surpreenderemos com descobertas concebidas nesses catorze meses de curso, entretanto, com períodos de incubação diversos.

Nem todas as sementes da Turma ’J’ já nasceram; algumas estão em processo, outras ainda não caíram no chão da vida.”

22maio2002

MUNDOS

Cada um cria o seu mundo.

Há quem viva entre as paredes de um apartamento, apartado dos vizinhos e a salvo de bichos intrusos. Outros, apenas dormem em apartamento e passam o dia perambulando pelas ruas da cidade.

Quem queira ainda mais mobilidade, compra um apartamento com rodas ou remos e percorre o mundo em busca de novidades.

Os naturistas se refugiam em área rural para viver em contato com a vida selvagem, cultivar hortas, pomares e jardins, e dormir no silêncio das noites enluaradas.

A população urbana se alimenta às pressas, em restaurantes ou compra, por telefone, lanches, comida pronta e iguarias.

Há quem prefira cultivar a horta, plantar e colher chás, hortaliças e legumes, e preparar a alimentação que consome.

São mundos bem diversos, antagônicos, até.

Sobre a Terra, há – por enquanto – espaço para esses humanos esquisitos realizarem seus diferentes projetos individuais, de acordo com seus modos de viver.

Cada um com sua loucura, podemos ser todos felizes.

MENOS AMIGOS, MAIS AMIZADE

A certeza de que a vida é curta
aumenta com a idade.

Até os quatro anos,
nem sabemos que pensamos.
Até a adolescência,
carecemos de consciência moral.

As primeiras décadas
transcorrem sem economia de tempo,
pois, parece que seremos eternos.
No entanto, a meia-idade vem
nos avisar de que a manhã já se foi
e que a tarde se esvai:
o vigor físico cede lugar à debilidade.

Tomamos consciência de que
o aclive chegou ao fim e que a
‘melhor idade’ escorre cachoeira a baixo.
Se na juventude esbanjamos energia
e corremos atrás de aventuras,
na maturidade, passamos a escolher
com cuidado os encontros e as companhias.

RECREIO: espaço para crer, imaginar e inventar.

Por opção, Maria Alfabetizadora passava os intervalos entre as aulas com os alunos. Aproveitava esse tempo para descontrair, conhecer melhor as ideias e os hábitos dos jovens e, principalmente, aproveitava essa convivência para rejuvenescer o espírito e para atualizar as visões de mundo.

Esses momentos de convívio destituído de hierarquias favoreciam as trocas de informações, autorizavam os alunos a ensinar o que sabiam e, consequentemente, a se abrirem para a aprendizagem. Com ganhos relacionais decentes e discentes, todos voltavam para suas salas com outro ânimo.

Os demais professores não compartilhavam dessa opção e mesmo a consideravam ‘esquisita’. Por isso, ela pouco se encontrava com os colegas ou com eles conseguia conversar. A maioria deles se refugiava na Sala dos Professores, onde as conversas giravam em torno de assuntos sociais, futebolísticos e/ou políticos; preferencialmente, futilidades que os ajudassem a esquecer dos ‘suplícios’ em sala de aula. Para eles e para alguns alunos, o recreio era um momento de folga, em que comemoravam o prazer do ócio.

Nos dois primeiros anos de trabalho, Maria Alfabetizadora exerceu o magistério em escola rural, onde era a única professora, lecionando para duas séries matutinas e duas séries vespertinas, em sala mutisseriada. A escola, a igreja, o cemitério e o campo de futebol formavam a sede do distrito. O relvado se estendia por entre os prédios até o bosque que abrigava a fonte d’água. Havia muita sombra, além de flores, frutos silvestres e uma passarada tagarela.

Nos horários de aula, a mestra e os estudantes conversavam em voz baixa, sem grandes intercalações; se alguém passasse pela estrada em frente, teria muita dificuldade para entender o que falavam. O mesmo acontecia no início do recreio, quando cada qual mastigava seu lanche, sem tempo para conversas. Porém, rapidamente, as frutas, os pães e os bolos eram devorados e as crianças se levantavam e começavam as brincadeiras de roda. Aos poucos, a algazarra ecoava pelos morros e matarias.

Maria Alfabetizadora aproveitava esse início de intervalo para organizar a sala, preparar alguma atividade ou resolver alguma pendência administrativa. Mas, só enquanto os alunos consumiam os lanches, porque, tão logo as cirandas subiam ao céu, a professora deixava as obrigações e se juntava à brincadeira. Roda-cotia, joão-bobo, ciranda-cirandinha, peteca, bambolê, pula-corda, esconde-esconde, cabra-cega e pegador. As cantigas eram compartilhadas em igualdade de condições: ali Maria Alfabetizadora era uma criança a mais a cantar, a correr, a rir e a gritar. Apesar do dinamismo e da alegria, tudo transcorria de forma harmoniosa, sem excessos e sem agressões.

No entanto, bastava o relógio indicar o fim do recreio, todos retornavam às atividades escolares, deixando o silêncio campestre reinar novamente. Entravam com uma alegria diferente da alegria dos folguedos, sem resmungos ou queixas, porque eles continuariam se divertindo, mesmo que tivessem dificuldades para aprender. Para eles, aprender era um desafio semelhante aos desafios do jogo ou da brincadeira.

Nos anos seguintes, já nas escolas da cidade, Maria Alfabetizadora acompanhava os recreios das turmas dela, como se ainda estivesse na sua escola rural. Lanchava com os alunos e com eles se divertia. É óbvio que causava estranheza ao restante do corpo docente, que preferia ficar confinado na Sala dos Professores. Além disso, Maria Alfabetizadora percebia que os alunos dela eram menos agitados e mais cooperativos. Formavam uma ‘lagoa’ naquele ‘mar revolto’.

De forma semelhante, mesmo no Ensino Universitário, Maria Alfabetizadora continuou a passar os recreios com os alunos dela. Passava na Sala de Professores apenas para assinar o ‘ponto’. De certa forma, essa passou a ser uma das características que faziam dela uma educadora diferente. É claro que, também em sala de aula e no processo ensino-aprendizagem, as atitudes dela destoavam da maioria.

Quando passou a atuar como consultora pedagógica, foi convidada a visitar uma escola em que havia muitas queixas dos pais e dos professores sobre a excessiva agitação das crianças, antes do início das aulas, nas saídas da escola e durante os recreios.

De fato, a gritaria invadia os quarteirões mais próximos e, mesmo visto da rua, o espetáculo assustava um pouquinho. As crianças corriam atabalhoadamente, sem que se pudesse identificar quem brincava com quem. O tumulto era tanto que os choques frontais e os tropeços se sucediam, levando muitas crianças a rasgarem as roupas e a se esfolarem no chão irregular e áspero.

Maria Alfabetizadora ficou em pé diante do portão trancado a cadeado. Não havia adultos no pátio, as crianças ignoraram a presença dela e ninguém a esperava, apesar de ser sido convidada para chegar naquele horário.

Quando a sirene sinalizou o fim da ‘guerra’, a gritaria alcançou os maiores – e piores – níveis auditivos. Momento também para pequenas vinganças e para provocações violentas. As portas foram abertas e as ‘autoridades’ saíram com voz de comando. Aos poucos, foram organizadas as filas que levavam cada turma para sua sala. Então, a diretora percebeu que tinha visita à espera e veio abrir o portão.

Depois das conversas protocolares, Maria Alfabetizadora foi conduzida em turnê pelas salas de aula, onde os alunos cumpriam silêncio absoluto para receber a visitante. Ao entrar, Maria Alfabetizadora avaliava os espaços exíguos, repletos de carteiras pouco confortáveis e os alunos amontoados sob iluminação escassa, de braços cruzados e com olhos de assustados. Pareciam estátuas.

Em cada sala, Maria Alfabetizadora solicitava que a professora continuasse sua aula como se nada de diferente estivesse acontecendo e que os alunos se comportassem normalmente. E ela observava, construía leituras e ia montando um ‘mapa mental’ da situação. Depois desses rápidos diagnósticos, foi conversar com a diretora da escola e com os seus conselheiros; todos aguardavam ansiosos pelo veredicto.

No entanto, antes da esperada resposta, a consultada tinha muitas perguntas. Foi perguntando que ela encaminhou o relatório do que viu. Questionou o que eles entendiam por ‘recreio’, por atividade, por passividade e por trabalho coletivo. Indagou qual o método que escolheram para educar as crianças e qual o papel dos alunos na avaliação do processo educativo. Perguntou ainda pela participação dos pais na vida escolar.

Como era de se esperar, a equipe demonstrou grande decepção com o interrogatório, afinal, justamente eles é que tinham as dúvidas e esperavam dela todas as soluções. Apesar da insinuação da pedagoga de que eles não se colocavam como parte do problema e de que se negavam a refletir sobre as próprias práticas, eles continuaram a esperar uma resposta mágica que transformasse a fracassada instituição em uma referência educacional.

Decepcionada também ficou Maria Alfabetizadora, pois foi condenada a um monólogo. Esperava trabalhar coletivamente, mas esperava demais, dado que ali nenhum trabalho era realizado daquela forma; tudo ali era feito individual e competitivamente, seguindo uma disciplina militar. Os superiores mandavam e, nos recreios, sem os superiores, as crianças tentavam mandar umas nas outras.

Mais uma vez, a diretora perguntou por que as crianças corriam tanto pelo pátio. E Maria Alfabetizadora ponderou:

-Nos momentos livres, elas entram em atividade, já que nas salas estão condenadas à passividade. São crianças ativas, precisam agir; criar situações e soluções objetivas. Se divertem fazendo isso. Gostariam de fazer algo semelhante durante as aulas, porém são proibidas de falar e de agir espontaneamente; devem apenas reproduzir trabalhos ou cruzar os braços. Foi assim que as crianças foram preparadas para minha visita: mandaram calar a boca e cruzar os braços.

Os ouvintes empalideceram. Estavam pedindo ajuda e Maria Alfabetizadora ‘se voltava contra eles’, como se eles fossem a causa da violência durante os recreios escolares.

E, de certa forma, os professores poderiam ser a causa da violência nos pátios da escola. Não só eles, mas também os pais que passavam o dia trabalhando e sem as mínimas condições de assumirem as responsabilidades inerentes às formações intelectual, espiritual e social de seus filhos.

Mais precisamente: os métodos e os procedimentos de pais e professores se mostravam inadequados para organizar as aprendizagens necessárias e esperadas. Ao contrário: a violência simbólica caracterizada pela negação do diálogo e pela imposição de regras arbitrárias e absurdas produzia reações agressivas que podiam extravasar nos recreios escolares e nas ruas em que as crianças transitavam ou brincavam.

Maria Alfabetizadora via naquela situação mais um exemplo da situação nacional: nas famílias de todas as classes sociais, os pais investem cada vez menos tempo para conviverem com os filhos, os quais vivem no abandono afetivo e na liberalidade moral ou a cargo de babás e bedéis igualmente autoritários e insensíveis. E, como a escola é uma extensão do lar, os diretores, orientadores e professores dão continuidade ao processo de militarização do ensino. Para isso, são usadas as provas, as coerções e as reprovações. As autoridades escolares exercem o poder para ‘manter a disciplina’.

Em consequência do ambiente escolar desfavorável, poucos alunos conseguem bom desempenho estudantil, porque o aluno do professor autoritário usa, continuamente, estratégias para se defender das arbitrariedades e agressões, não sobrando o tempo para brincar, conversar, ler, pensar, escrever, inventar, estudar e aprender. A tensão, a vergonha e o medo impedem que ele se concentre nas tarefas escolares. Em consequência, ele pode ser acusado de desinteresse, desleixo e apatia. A segurança e a motivação são fundamentais para o desenvolvimento da mente e das habilidades. Uma pessoa insegura e acuada pode parecer indiferente, aversiva e, até, rebelde. Esses comportamentos permitem que o professor insensível classifique os alunos como ‘burros’ e incompetentes para aprender. Fecha-se assim o ciclo vicioso da educação ditatorial.

Do livro Maria Alfabetizadora, páginas 67 a 70.

https://livrosdomariotessari.wordpress.com/maria-alfabetizadora/

PEDOFILIA HUMANA

À medida que sobrevivo por sete décadas, percebo que meu olhar alcança outros níveis, outros horizontes ou que eu consigo visualizar o que estava perto (porém, em segundo plano) e permanecia ‘invisível’. Talvez, minha mente envelhecida, com melhores configurações, consiga ultrapassar o imediato e penetrar através das frestas do senso comum.

Durante a gestação, os meus olhos e a minha mente em construção devem ter visto, inicialmente, escuridões e, gradualmente, penumbras. Na primeira infância, reconheceram rostos familiares, objetos coloridos e fontes de alimentos, como mamas e mingaus? Até os três anos, dispensado de análises éticas e/ou filosóficas, devo ter visto o mundo apenas como paisagem dinâmica.

A ‘idade da razão’ surgiu aos sete anos? Talvez, por aí. Quais as análises que eu fazia aos dez anos? E aos quinze? O que o Mario neo-adulto passou a pensar? Quais os critérios éticos do Mario quarentão? Em que fase radicalizei minhas visões de mundo? (aprofundei raízes…)

Justificadas as minhas idiossincrasias (predisposição do organismo que leva o indivíduo a reagir de maneira peculiar à influência de agentes exteriores/Houaiss), vamos ao tema proposto.

Até envelhecer, lutei para acomodar a ideia de pedofilia como vício de “perversão que leva o indivíduo adulto a se sentir sexualmente atraído por crianças”. Apenas de seres humanos?

Esparramei minha atenção para o reino vegetal e procurei por eventos em que uma planta adulta teria tentado atos reprodutivos com uma planta recém-nascida, com brotos tenros ou com plantas sexualmente imaturas. Nada. Nenhum indício… Concluo que faltam evidências de pedofilia vegetal.

Haveria pedofilia entre os seres microscópicos? Está lançado o desafio…

Entre humanos existe. Humanos são animais. E os outros animais? Vasculhei as prateleiras mais antigas de minha memória, catalogando imagens registradas durante a infância, quando adolescente, durante a juventude e depois de adulto.

Galos, galinhas, pintos; cachaços, porcas, leitões; baguais, éguas e potrinhos; cães, cadelas e filhotes; gatos, gatas, gatinhos; patos, patas, patinhos; marrecos, marrecas e marrequinhos; perus, peruas, peruzinhos; … Nunca vi machos adultos dessas linhagens assediando os recém-nascidos, os desmamados ou os jovens. Pelas minhas interpretações, as danças sensuais animalescas iniciavam depois da maturidade dos animais domésticos.

Os pássaros machos assediam os filhotes nos ninhos? Os passarinhos em treinamento de voo são perseguidos por machos tarados? Quem já presenciou alguma cena comprometedora? Existe pedofilia entre tatus, capivaras, cotias, gambás, lebres, veados, quatis, onças, leões, girafas, elefantes, cobras, baleias, avestruzes, hienas, chipanzés, gorilas ou micos?

Os animais selvagens seriam mais éticos que os humanos? Mas, a ética e a moral não são preceitos humanos? Pedofilia seria um ‘efeito colateral’ da ‘inteligência superior’ do Homo Sapiens? Os seres humanos seriam mais animalescos e selvagens que os ‘animais inferiores’?