FAZERES

Além do “Eu faço por mim.” e do “Eu faço por você.”, há outras opções: “Eu faço por nós.”, “Eu faço pelos outros.”, “Nós fazemos por nós.”, “Nós fazemos pelos outros.”, “Os outros fazem por mim.”, “Os outros fazem por você.”, “Os outros fazem por nós.” ou “Eu nada faço por mim.”, “Eu nada faço por você.”, “Eu nada faço pelos nós.”, “Eu nada faço pelos outros.” ou “Eu faço tudo.” Melhor fazer o possível com os outros.

Também podemos analisar os modos de fazer por critérios tradicionais (seguindo as tradições: “sempre foi feito assim e vamos continuar fazendo o mesmo”), por critérios éticos (agir corretamente, fazer o melhor para todos), por critérios morais (seguir os costumes pessoais ou sociais), por pressão religiosa (julgamento, culpa, caridade, perdão) ou por razões práticas (resolver problemas, vencer na vida sem desgastes, realizar algo diferente, romper a estagnação ou evitar o repetivismo inócuo.

Texto escrito em parceria com Custódia Fernandes Bressan Cancelier.

SEMEANDO POESIA

Que sejam para sempre benditas as almas que sentem fluir em seus corpos a poesia natural, que sejam sempre privilegiadas as mentes que elaboram poemas e as mãos que registram essas percepções mágicas e que sejam eternamente abençoadas as pessoas que incentivam os jovens a escreverem.

Escritora de Jaguaruna lança concurso de poesia para estudantes

https://folharegionalwebtv.com/jaguaruna-sc/escritora-de-jaguaruna-lanca-concurso-de-poesia-para-estudantes-92641

DEUS SALVE O REI

dEUS salve o rEI

Minha postura é indigna? Seria uma questão política? Salvar a Nação?

Não. Não contem comigo para salvar a Pátria, o Rei, os ministros, os cortesões, os sábios, as concubinas, os sacerdotes, os conselheiros, os pajés, …

Estarei na plateia, rindo dos ridículos governantes.

Peço que me contestem nas divergências… mas… não vale a pena nos indispor por questões políticas.

Vivi sob a égide de uns quinze presidentes, outros tantos governadores e mais prefeitos (não, perfeitos). Pouco tempo perdi “salvando o mundo”. E foi tempo perdido.

Governos são como o clima, as estações, as eras, … Reclamo deles, ironizo seus feitos e efeitos, porém, me adapto às ETERNAS MUDANÇAS… que sempre se repetem.

E eu… procuro não me repetir; vivo ao alcance da minha aura… uma única vida.

VIVER BEM OU BEM VIVER?

Podemos analisar o significado de ‘viver’ por vários pontos de vista, tendências, ideologias ou filosofias.

Há quem considere que ganhar bastante dinheiro seja ‘viver bem’. Podemos questionar quanto dinheiro será suficiente para viver e para viver bem. Os pássaros não ganham (muito menos, acumulam) dinheiro. Os pássaros vivem mal? As pessoas ambiciosas vivem melhor? Os multibilionários vivem felicidade máxima?

A vida de cada um seria a soma de experiências individuais? Quem nasce, cresce e envelhece sem sair da aldeia tem uma única experiência, vive uma única vida? Quem busca e explora muitos habitats vive muitas vidas?

Uma pessoa que, numa empresa, repete uma rotina invariável durante trinta e cinco anos tem trinta e cinco anos de experiência ou tem a experiência de repetir durante trinta e cinco anos o mesmo dia de trabalho?

Quem aprendeu quando criança um ofício e nele trabalha sem evolução (uma rotina de jornadas exatamente iguais) terá uma vida monótona, improdutiva? Aprender e migrar para outras profissões oportuniza variadas experiências, como se vivesse muitas vidas?

Entre viver bem e bem viver há diferenças sutis. Prefiro bem viver ou viver o bem. Melhor ainda se o bem e o bom coexistirem: se praticarmos o bem será bom para todos. Ou eu seria ingênuo, complacente?

CONVIVÊNCIA AMOROSA

Perguntei para a irmã de minha mãe como eles estavam (Iolanda e Alcides, na fase dos 90 anos) e ela respondeu com uma frase que descreve uma vida a dois em total parceria: “Estamos abotoando a roupa um do outro.”

No que acreditamos?

A tendência é acreditarmos com maior convicção, com mais fé, nas verdades que descobrimos por nós mesmos; são as mais simples e as mais úteis para cuidarmos do nosso corpo e da nossa mente, para preparar e para aprimorar nosso espaço vital, nossa moradia e nossas relações afetivas.

A seleção do que sabemos e do que queremos para nós mesmos ajuda a construir nossa filosofia de vida, nossa tranquilidade, nosso bem-estar.

IMEDIATISMO

Insatisfeitos com a rapidez com que passam pela vida, os humanos inventam máquinas cada vez mais velozes para chegarem logo ao infinito. Essas ânsias desgastam, corroem e abreviam vivências.

As plantas, sem pés e sem pernas, se agarram no solo pelas raízes. Sem pressa, constroem florestas, dominam a natureza e contribuem para saúde de todos os seres vivos.

Os melhores caminhos são os que construímos por e para nós mesmos e não os caminhos que encontramos prontos ou aqueles que nos oferecem ‘de graça’. Nada é gratuito. A gratuidade é uma ilusão que compramos por alto preço.

SABEDORIA DA HUMILDADE

Conheço parcialmente, estudo, (re)conheço, valorizo, alimento e cuido de meu corpo. Confio nele (Fé na Vida) e procuro interagir de forma o mais consciente possível, analisando e mantendo meu viver dentro de limites cada vez mais estreitos; sem frustrações, mágoas ou tristezas.

As plantas e os animais guardam em seus corpos a sabedoria acumulada em dezenas de milhares de anos. A minha principal aprendizagem possível sempre será sobre o funcionamento dos seres vivos, como sobrevivem em meio aos comportamentos absurdos dos Sapiens Sapiens.

Cada ser vivo, do microscópico ao colossal, desenvolveu capacidades para bem aproveitar as condições naturais e para evitar os desequilíbrios da soberba, da arrogância e da estupidez de grande parte dos nossos conviventes na Planeta Terra.

DOS RITMOS VITAIS

Para quem vive no sítio, a vida é mais estável. E as necessidades são muito menores, menos exigentes. As árvores demoram anos, décadas e, algumas, séculos para crescer. A vida flui num ritmo amigo, que dá tempo de ver, de apreciar.

A vida urbana exige pressa, quase urgência. Tudo é obrigação agendada, com horário marcado, com segundos cronometrados, dramaticamente transitórios. Carros passam empurrados pela pressão do violento ritmo urbano, atropelando pedestres, outros veículos, muros, postes, … As pessoas passam umas pelas outras e passam pela vida sem tempo para apreciar a vida … correm engolindo migalhas aqui e ali.

Essa comparação entre o rural e o urbano aparece no valor que é dado aos seres vivos e aos objetos. Na roça, os animais são companhia para os humanos do nascimento até a morte, as ferramentas são usadas até gastarem, as residências caem de velhas; pouco reformadas, raramente demolidas. Tudo é permanente … até demais.

Na cidade, ao contrário, tudo é descartável: amores, cães, gatos, papagaios, carros, residências, escritórios, fábricas, estradas, … vidas… O progresso pede passagem e atropela ‘o antigo’; árvores dão lugar a estradas, a casas, a edifícios, a fábricas, a shoppings, … E os animais ‘de estimação’ são jogados na rua em cima dos nossos sentimentos humanos.

Tudo pode ser comprado, usado a exaustão e, logo que não dê lucros (mesmo que estéticos), é jogado fora. Há lixão ecológico, aterro sanitário (enterro da saúde) e a tecla delete. Assim, nos livramos do que usamos … enquanto rendia companhia, conforto, prazeres, …

Para que vamos guardar nossos valores … se ali na esquina tem uma fila de outros que podem ser comprados, degustados, desgastados, consumidos e … expurgados?

Por favor, após ler, delete minha ideia, há outra esperando na fila.

Publicado na Folha Regional de Jaguaruna, em 2008.